Por que ainda não temos robôs políticos?

Anderson Ismael, 14 de abril de 2019

Vivemos em uma época em que computadores estão superando nossas habilidades. Já fomos superados em jogos de tabuleiro como xadrez e “go”, em programas de pergunta e resposta como o “Jeopardy!” e no controle de grandes sistemas de transporte urbano como no Uber. Porém existe algo que ainda não fomos superados: Nossa capacidade de fazer política.

Não me entendam mau: Sou apolítico. Diante do cenário político atual, me nego a defender A, B ou C. Para mim políticos são uma espécie ameaçada de extinção.

Apesar de não confiar nos políticos ainda tenho esperança no sistema político atual pois espero que as coisas melhorem, porém sou cauteloso e aguardo ansiosamente a robotização desse sistema.

Por que que ainda não temos robôs políticos?

Sou um “noob” em relação a história da democracia: Não sei ao certo qual parte dela foi um presente de grego e qual foi  enlatada nos EUA.

Mesmo sendo um “noob” me arrisco a dizer que, do modo que nosso sistema democrático funciona atualmente é bastante improvável trocar políticos por robôs. Abaixo estão 3 fatos que justificam essa afirmação:

1) Robôs não entendem sarcasmo

Os israelenses são reconhecidos mundialmente por sua habilidade na criação de programas de computador. Um desses programas foi usado em 2010 para rastrear comentários sarcásticos nos comentários da Amazon e no Twitter conseguindo rastrear 77% dos comentários sarcásticos.

Sistemas como esse funcionam através da análise de texto: Eles pegam todo o histórico de comentários da pessoa e tentam encontrar um “Wally” em meio a um mar de palavras. Ou seja: Para que esse programa entendesse o sarcasmo foi necessário que ele estudasse o histórico de comentários de cada pessoa analisada. Políticos e seus apoiadores não tem esse problema pois julgar e condenam pessoas sem nem ao menos entender o ponto de vista delas.

2) Robôs não entendem sentimentos

Em 2016 pesquisadores de uma universidade americana criaram um programa capaz de emular emoções humanas. A abordagem desses pesquisadoras foi semelhante a dos israelenses, baseada no processamento de quantitativo do peso das palavras em um ambiente controlado, ou seja: A maquina é boa em entender o que sente mas péssima para lidar com os sentimentos de terceiros.

Parte da crise atual em nosso sistema político está relacionado a isso: Os nossos governantes e seus apoiadores valorizarem crenças e sentimentos de aliados em detrimento das crenças e sentimentos da oposição, isso gera um clima desfavorável para o estabelecimento de alianças políticas e entre eles e os eleitores. Os sentimentos ainda ocupam um espaço enorme nas relações humanas.

3) Robôs não são humanos

Esse é o principal fato que pesa contra a substituição de políticos por robôs. Mesmo que todas as barreiras tecnológicas para a construção de um robô humanoide externamente idêntico a nós fossem superadas sempre existirá um certo desconforto e desconfiança ao recebermos ordens de robôs.

Robôs tendem a tornar decisões extremamente racionais, decisões essas que nem sempre são compreendidas por seres humanos. Sendo assim a solução mais lógica não é tornar os robôs mais humanos e sim tornar os humanos mais parecidos com robôs, algo que ainda estamos tecnologicamente longe de conseguir.

Ainda há esperança

A informatização da política deve continuar crescendo no Brasil e lá fora. Mesmo que o Brasil sofra algum retrocesso tecnológico como o fim das urnas eletrônicas, lá fora os outros países devem continuar levando essa tendência de informatização do sistema político e democrático adiante, seja através do voto digital offline ou através do voto online.

A cada dia a ciência avança mais na compreensão de quem somos, como funcionamos biologicamente e em como nossa biologia pode ser substituída ou melhorada através da tecnologia. Um dia todos nos tornaremos robôs, isso só uma questão de tempo.


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